Dilema: intrigas, drama e um prazer violento

05/06/2019 - POSTADO POR EM Séries
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Uma das mais recentes produções da Netflix é a minissérie de suspense “Dilema”. Estrelada por Renée Zellweger, mais conhecida por seu papel como Bridget Jones na famosa trilogia de comédia romântica, e idealizada por Mike Kelley, produtor de “Revenge”, a série procura trazer uma trama obscura, que prende o público principalmente pela curiosidade em saber os segredos que os personagens principais escondem.

Proposta indecente

A série acompanha Lisa (Jane Levy), uma cientista empreendedora que está em busca de investimentos para sua startup, a Emigen. Partindo de uma ideia que poderia revolucionar a indústria farmacêutica, ao mesmo tempo em que a enfraqueceria, a jovem não está conseguindo o apoio financeiro necessário para o projeto e teme o fechamento da sua empresa.

Seu marido, Sean (Blake Jenner), é socorrista em um hospital local, mas já teve seus dias de glória na liga de beisebol, porém um incidente fez ele encerrar a carreira precocemente. Certa noite fazendo bico como barman ele conhece a misteriosa Anne Montgomery (Renée Zellweger), que diz ter interesse no empreendimento de sua mulher. Ao serem convidados à casa dessa possível investidora uma proposta é feita: Anne daria o apoio financeiro necessário à Emigen se Lisa concordasse em deixar Sean passar uma noite com ela.

Em paralelo também conhecemos as histórias do irmão de Lisa, Marcos (Juan Castano) e seu namorado Lionel (John Clarence Stewart), que aparentemente tem uma relação perfeita, mas com ainda alguns empecilhos barrando uma intimidade mais profunda. O terceiro núcleo é composto do melhor amigo de Sean, Todd (Keith Powers) e sua esposa Angela (Samantha Marie Ware), que logo é revelado, está tendo um caso com seu chefe no hospital onde trabalha.

Foto: Divulgação

Segredos

A série parte de dois princípios, o primeiro é: o que você faria pela oportunidade da sua vida? E segundo: todo mundo tem segredos. Logo de início vemos Lisa ser testada ao assinar um contrato que deixe seu marido livre para passar a noite sozinho com outra mulher, e ainda ter se suportar a cláusula de confidencialidade que não deixa Sean revelar nada sobre o que se desenrolar entre ele e Anne.

Apesar dessa trama no início da história, ela logo se desvia para outros acontecimentos, o que dá a sensação de que a série não parece ter um foco muito certo para seu enredo, frequentemente se desviando para outros assuntos. A questão dos segredos é mais vigente, sendo basicamente a única motivação para se chegar ao fim dos 10 episódios da temporada.

Foto: Divulgação

Drama, drama, drama

Durante a temporada vemos os episódios perderem a sensação de suspense criada no início para dar lugar a uma trama um tanto novelesca, com diálogos piegas e atitudes questionáveis dos protagonistas. A personagem de Anne, certamente a mais interessante da série, perde um pouco da aura misteriosa quando se fazem revelações de seu passado e quando se descobre sua real motivação nos deparamos com uma solução de roteiro pobre e bastante manjada. Apesar disso há como tirar o brilho de Renée nesse papel, que está excelente.

Em contraponto a ela temos Lisa, que entrega uma personagem com escolhas duvidosas, que muda de atitude de acordo com as necessidades de roteiro. Seu marido Sean não fica tanto atrás, mas consegue passar uma imagem bem mais crível de uma pessoa com um claro peso no seu passado.

Nas tramas secundárias temos um desenvolvimento a princípio interessante para a dinâmica de triângulo amoroso entre o casal Todd, Angela e Ian (Dave Annable), o amante. Porém tudo culmina em uma situação desinteressante, que poderia ter sido melhor explorada se fizesse menos rodeios e fosse um pouco mais brutal. Já para Marcus e Lionel temos situações mais cômicas, deixando-os com a parte mais leve da trama e que consegue andar de maneira mais natural.

Foto: Divulgação

Veredito

“Dilema” tem um enredo instigante e com bastante potencial, porém o mal desenvolvimento de suas subtramas acaba fazendo a série perder o ritmo e não conseguir sustentar muito bem o seu plot original. O final dos personagens é razoavelmente satisfatório, principalmente se você ficou cativado por Anne em toda a sua exuberância de mulher rica e bem sucedida.

Algo que chama muito atenção ao longo da série são as músicas, quase sempre em um tom baixo e sensual, elas combinam com as cenas e conseguem trazer o clima certo. A direção poderia ter sido mais criativa com a montagem das cenas, colocando alguns ângulos estranhos e usando artifícios de câmera muito batidos.

No geral temos uma boa trama que foi subaproveitada, personagens secundários carismáticos, assim como uma boa antagonista, mas que ofuscam o casal de mocinhos principal. Provavelmente com episódios mais enxutos teríamos um enredo digno de uma boa maratona de fim de semana, porém só podemos contar com a curiosidade do espectador para resistir aos 10 episódios e se deparar com um final tão razoável quando o resto da produção.

Pontos positivos

  • Músicas bem encaixadas com as cenas
  • Personagens secundários cativantes
  • Antagonista forte e com uma boa presença

 

Pontos negativos

  • Direção com recursos clichês
  • Trama mal desenvolvida
  • Protagonistas com atitudes contraditórias e que pouco fazem sentido

 

Nota: 6