Dia Nacional do Documentário: 5 produções brasileiras para assistir

07/08/2020 - POSTADO POR EM Filmes

Os documentários são uma potente ferramenta de aprendizado e uma forma de compartilhar visões de mundo acerca de diversos temas. Em 2019, um terço dos filmes produzidos no Brasil foram documentários, segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Um gênero muitas vezes desvalorizado como entretenimento por parte do público, o documentário se mostra uma grande potência para quem está começando no ramo audiovisual. Uma esperança para quem sonha trabalhar com cinema e uma porta para novos talentos do cinema nacional. Mais do que isso, contudo, o formato apresenta retratos sociais como nenhuma outra mídia é capaz de fazer.

Sendo assim, para comemorar o Dia Nacional do Documentário Brasileiro, escolhemos alguns dos vários filmes produzidos em terras canarinhas para você conhecer. Afinal, o Brasil é conhecido mundo afora pelos seus documentaristas de qualidade, e devemos prestigiar essas obras com um olhar mais atento.

Estou me Guardando para quando o Carnaval Chegar (2019)

Começando pelo mais recente, Marcelo Gomes nos leva para a curiosa Toritama, a Capital do Jeans, no agreste pernambucano. A pequena cidade vibra num alucinante ritmo de trabalho com as peças de roupa, com a maioria de seus habitantes atuando no setor têxtil do nascer do sol até horas depois dele se pôr.

A naturalização da exploração causada pela “liberdade” de escolher o valor do seu lucro em uma dinâmica diária exaustiva é muito bem explorada pelo diretor, que apresenta diversos personagens carismáticos e que nos aproximam à sua vida corrida em busca de uma melhor situação financeira.

Disponível na Netflix, Estou me Guardando para quando o Carnaval Chegar é uma reflexão sobre como o ritmo industrial pode mudar uma cidade do interior em poucos anos. 

Ilha das Flores (1989)

Talvez esse seja o mais conhecido dessa lista. Muito citado em aulas de história, o curta de Jorge Furtado expõe de forma até divertida o ciclo do consumo mundial em pouco mais de 10 minutos.

Eleito por votação realizada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) em 2019 como o melhor curta brasileiro de todos os tempos, Ilha das Flores é uma crítica à um sistema que deixa alguns com tanto e outros com tão pouco. Anos depois, sua mensagem reverbera da mesma forma, se não com uma potência ainda maior. 

O doc em Curta-Metragem está disponível na íntegra no YouTube.

Auto de Resistência (2018)

O mais pesado e necessário documentário dessa lista. Lula Carvalho e Natasha Neri trazem de forma crua e sensível uma realidade que, infelizmente, se repete toda semana no Brasil. A violência policial contra negros da periferia continua, mesmo depois de tanta revolta e luta do povo.

Disponível na Amazon Prime Video, Auto de Resistência acompanha casos de investigação sobre jovens assassinados em favelas do Rio de Janeiro, com fortes depoimentos das famílias, advogados de defesa e ativistas da causa negra.

Quanto Tempo o Tempo Tem (2015)

Passar um dia todo “sem fazer nada” é quase um crime para alguns. Os intervalos para respirar nesse mar de informação se tornam mais e mais curtos. Logo você precisa imergir novamente. E há vezes que você não toma o fôlego suficiente e acaba se afogando.

Adriana Dutra nos apresenta, por meio de várias entrevistas com físicos, astrônomos, filósofos e sociólogos, o conceito de tempo – em que baseamos a nossa rotina maluca (e pautamos a nossa vida) no século XXI. 

O longa é um interessante exercício de autoanálise, principalmente neste período de isolamento social, no qual questionamos frequentemente a forma como usamos nosso “tempo”. 

O documentário está disponível do catálogo da Netflix.

Cabra Marcado para Morrer (1984)

Eduardo Coutinho não podia ficar de fora dessa lista de indicações. Um dos maiores documentaristas da história brasileira realizou um registro desafiador em tempos obscuros, mas que entrega uma experiência de aprendizado sobre jornalismo e história nacional única.

A gravações de seu filme Cabra Marcado para Morrer na Paraíba, sobre líderes camponeses, tiveram que ser interrompidas em 1964 devido ao início da ditadura. Anos depois, em 1981, Coutinho voltou com sua equipe para procurar pelas pessoas que estavam trabalhando no filme, descobrindo seus destinos após aquele período.

Uma grande reportagem sobre a ditadura sem em nenhum momento mostrarem imagens de alguém relacionado ao regime. A voz de quem sofreu pelos absurdos daquela época são as únicas que ecoam pelas terras sofridas e pelo tempo que antes não parecia passar.  

Umas das principais obras do cinema nacional está disponível na íntegra no YouTube.