Dia da Toalha: 25 de maio e o legado de Douglas Adams

24/05/2018 - POSTADO POR EM Conteúdo E HQs/Livros
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Nesta sexta-feira, 25/05, comemora-se o Dia da Toalha: data criada para homenagear o grande escritor britânico, Douglas Noel Adams, que nasceu em Cambridge, Inglaterra, em 1952 e morreu em 2001, deixando para trás obras literárias bastante relevantes no universo da ficção científica, com destaque à trilogia de cinco livros (que, na verdade, são seis): “O Guia do Mochileiro das Galáxias”.

Marcado pelo seu humor singular, carregado de ironias e referências à religião, política e sociedade, Adams tem um peso atemporal para a literatura de sci-fi e para o universo nerd em geral. Sua obra se expande a todos pela leveza de sua narrativa, sempre bem humorada e divertida, sem perder singularidade e criatividade, tornando-se assim uma das obras mais populares do gênero.

Por que a toalha?

No dia 25 de maio de 2001, os membros da h2g2 (uma comunidade virtual inspirada no guia) fizeram sua primeira homenagem a Adams, o que influenciou diretamente na escolha do dia para as comemorações. A data, que, apesar de não fazer referência ao número 42 (resposta da vida, do universo e tudo mais), é lembrada anualmente pelos fãs da saga, que carregam, durante o dia inteiro, uma toalha consigo.

O nome baseia-se no fato de que a toalha, como qualquer bom viajante espacial (ou bom fã da trilogia) sabe, é item imprescindível para um mochileiro da galáxia, visto as inúmeras utilidades que ela possui, algumas elencadas pelo próprio guia:

“A toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você — estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e naturalmente pode usá-la para enxugar-se com ela se ainda estiver razoavelmente limpa.”

— Douglas Adams, “O Guia do Mochileiro das Galáxias”

A vida, o universo e tudo mais

A obra mais conhecida de Adams é, sem dúvidas, a trilogia do “Guia do Mochileiro das Galáxias” (“The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy”), que conta a história de Arthur Dent, um cara normal e sem graça que, após a destruição da Terra para a criação de uma via interespacial, começa uma aventura intergaláctica com seu amigo Ford Prefect. Além da série de rádio original, o título rendeu cinco livros escritos por Adams — e um sexto escrito por Eion Colfer -, uma série de TV em 1981 e um filme hollywoodiano, em 2005, estrelado por Martin Freeman e Zooey Deschannel.  

Douglas Adams também escreveu uma coleção sci-fi baseada em um excêntrico detetive holístico de casos sem sentido, “Dirk Gently”, que conta com dois livros publicados (“Agência de Investigações Holísticas” e “A Longa e Sombria Hora do Chá da Tarde”) e um seriado com duas temporadas produzidas pela BBC em parceria com a Netflix, chamada “Dirk Gently and the Holistic Detective Agency” (2016). A série, que recebeu críticas positivas quanto a sua inovação e abordagem, retrata muito bem o tom de sua obra original e serve como um presente aos fãs do humor nonsense e inteligente dos livros de Adams.

O autor também colaborou para outras produções clássicas da BBC, onde escreveu esquetes para “Monty Phyton’s Flying Circus” (1969), que é lembrada até hoje pelo seu humor crítico e sempre atual e escreveu episódios para “Doctor Who” (1963), adaptados para os livros “Shada” (2014), “Cidade da Morte” (2015) e “Doctor Who and the Krikkit Men”, que ainda não possui previsão para chegar ao Brasil. Uma curiosidade é a presença de referências ao Doutor no primeiro livro da série de Dirk Gently, onde o personagem aparece, em determinado momento, juntamente com a Tardis.

Há, ainda uma coletânea de textos encontrados no computador de Adams, que foram selecionados e publicados em “O Salmão da Dúvida” (2014), onde o autor divaga sobre tecnologia (uma de suas grandes paixões), sobre religião (ele era um ateu radical fervoroso) e outras questões do universo. Além disso, o livro conta, também, com uma narrativa inédita e não concluída, trazendo aos fãs da escrita de Adams algo novo para se confortar.

Foto: Divulgação

A resposta fundamental

Talvez uma das maiores referências e questões acerca do Guia do Mochileiro das Galáxias é a que gira em torno do número 42. No livro, ele fala sobre uma civilização que busca a resposta para tudo, e para isso constrói um robô superinteligente que é capaz de responder qualquer dúvida. Ao ser questionado pelos seus criadores sobre a resposta fundamental da vida, do universo e de tudo mais, o robô, chamado de Pensador Profundo, os responde com o número.

Apesar das inúmeras teorias feitas por fãs e leitores da obra, Adams, cansado de ser indagado sobre o significado do número, respondeu: “Simples: foi uma piada. Tinha que ser um número comum, curto, e escolhi este. Representações binárias, base 13, monges tibetanos não fazem o menor sentido. Eu sentei em minha escrivaninha, olhei para o jardim, pensei ‘42 vai funcionar’ e escrevi. Fim da história.”

Até mais, e obrigado pelos peixes

Por fim, Douglas Adams, apesar de sua morte prematura, deixou uma marca significativa na literatura e no universo da ficção científica, usando de humor e sabedoria. Junto com outros nomes da literatura de sci-fi, como Philip K. Dick e Isaac Asimov, Adams deixa seu olhar do futuro imortalizado em sua obra, compartilhando com o mundo sua perspectiva tão singular do universo.

“Torceu e rezou para que não houvesse vida após a morte. Então percebeu que havia uma contradição nisso e simplesmente torceu para que não houvesse vida após a morte. Ele iria se sentir extremamente envergonhado se tivesse que encontrar com todo mundo.”

— Douglas Adams, “Até mais, e Obrigado Pelos Peixes”

Foto: Divulgação