Chemical Hearts: sobre amor e amadurecimento

27/08/2020 - POSTADO POR EM Filmes

As adaptações da literatura teen para o audiovisual vem fazendo sucesso ultimamente, com filmes como Com Amor, Simon (2018), Por Lugares Incríveis (2020) e a franquia Para Todos os Garotos, esses dois últimos da Netflix. Investindo no mesmo nicho, o Prime Video trouxe a adaptação do livro A Química Que Há Entre Nós, da autora Krystal Sutherland. Nós assistimos Chemical Hearts e vamos contar nossas impressões.

Uma garota misteriosa

Henry Page (Austin Abrams) é um adolescente que está no último ano do ensino médio. Apesar de não ser um aluno brilhante, sua única preocupação era a vida escolar. Apaixonado pela escrita, o garoto se sente feliz ao ter a oportunidade de participar na redação do jornal da escola.

Grace Town (Lili Reinhart) estuda na mesma escola de Henry, porém eles nunca tinham se aproximado até o dia em que ela é convidada junto com ele para trabalhar no jornal. O adolescente se interessa pela garota, ao ver um livro de poemas românticos, o que chama bastante sua atenção.

A menina parece ser distante, calada e observadora. Grace anda com ajuda de uma bengala, o que intriga Henry, que tenta desesperadamente entender o que há com ela, os porquês daquela personalidade tão diferente e dos olhos que pareciam carregar uma grande dor.

Imagem: Divulgação

Romance x traumas

Assim como qualquer filme de romance adolescente, sempre temos um personagem que vai mudando à medida que a relação amorosa também. Diferente de outros longas do tipo, em Chemical Hearts temos uma temática incomum: a dor e os traumas que ela causa.

Enquanto de um lado há um menino completamente ordinário, do outro vemos uma garota que passou por momentos traumáticos e que não consegue se libertar deles tão facilmente. Não se trata de alguém que precisa ser salvo, mas Grace sabe que só ela é responsável pela sua felicidade e que para isso terá que superar os traumas.

O filme aborda discussões bastantes relevantes, como o primeiro amor e a responsabilidade afetiva. Ou seja, a importância da sinceridade nas relações, seja lá qual for. Outra coisa que é interessante observar, está na importância da família e do suporte dela para superar os problemas, porém sem romantizar.

Imagem: Divulgação

Metáfora

Um dos hobbies de Henry é consertar porcelana através de uma técnica japonesa antiga chamada kintsugi ou kintsukuroi. Através dela, os cacos das peças (vasos, pratos) são coladas utilizando laca, uma espécie de cola, e pó de ouro, deixando a união entre as partes em evidência.

A filosofia por trás do kintsugi está ligada à fragilidade da vida e às cicatrizes que carregamos. Para os japoneses, uma peça com que tem essa técnica é muito mais valiosa e bela, justamente por mostrar sua imperfeição, mostrando que elas participam da nossa história de vida.

Assim como no kintsugi, Henry vê beleza na trajetória de Grace. Ele tenta mostrar à garota que o que houve de ruim em sua vida não há torna menor, muito pelo contrário, a torna uma pessoa mais interessante e forte.

Imagem: Divulgação

Veredito

Chemical Hearts foi dirigido e roteirizado por Richard Tanne. Ele procurou fazer uma adaptação bastante delicada, cheia de metáforas e com diálogos que tornasse o filme um romance apaixonante, sem deixar a trama do longa boba e cansativa.

Apesar dos esforços do roteirista, o filme ainda cai em alguns clichês, como o amor à primeira vista, porém ele mantém o bom nível no desenrolar da trama. Isso acontece por não focar apenas em um romance água com açúcar, mas também na história de vida e nas diferentes personalidades dos personagens.

Os quesitos técnicos também não deixam a desejar. A direção de arte trabalha a questão das metáforas, principalmente ao relacionar as reações químicas que ocorrem no corpo e as animações que esquematizam esses fenômenos. A escolha pela paleta de cores e os enquadramentos ajudam a contar a história, tendo planos que enfatizam a solidão ou o fato das boas companhias que as amizades trazem, combinado à cenas mais escuras ou mais claras.

Pontos positivos

  • Boa direção
  • Boa atuação
  • Narrativa fluída e interessante
  • Metáforas bem construídas

Pontos negativos

  • Alguns diálogos são muito expositivos
  • Cenas específica que são corridas demais

NOTA: 8