Capitã Marvel: a heroína solo que nós queríamos

14/03/2019 - POSTADO POR EM Filmes
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Os 10 anos do universo compartilhado de filmes da Marvel chegaram trazendo, além do poderoso evento que foi “Vingadores: Guerra Infinita“, seu primeiro filme solo de uma heroína. Com uma importante líder nas HQ’s em mãos, era dever do estúdio apresentar de maneira simples uma personagem pouco conhecida pelo grande público e ainda preparar o terreno para sua aparição no quarto longa dos Heróis Mais Poderosos da Terra. Você confere aqui nossas impressões.

Soldado de elite

No filme conhecemos Carol Danvers (Brie Larson), uma soldado da Starforce, tropa de elite da raça alienígena Kree, que está em guerra há anos com os metamorfos Skrulls. Ela treina diariamente com o líder militar Yon-Rogg (Jude Law) para que aprenda a ter controle sobre seus poderes e não recorra apenas a eles quando estiver em combate.

Durante uma missão da tropa, Carol acaba sendo capturada pelos Skrulls, que vasculham a sua mente em busca de informações. O procedimento acaba trazendo à tona lembranças sobre seu passado que ela não compreende. Danvers consegue fugir da nave, mas acaba caindo na Terra junto com os alienígenas, onde ela passa a persegui-los com o objetivo de evitar que se infiltrem no planeta. Ao mesmo tempo, Carol busca entender mais sobre as próprias memórias e sua identidade.

Foto: Divulgação

Mais alto, mais longe, mais rápido!

O filme se propõe a nos apresentar a história de origem da personagem sem ser algo tão óbvio, então o passado de Danvers, que é tão obscuro para ela quanto é para nós, vai sendo revelado aos poucos por meio de flashbacks. O que acontece com a Capitã é que a sua personalidade vai se expandindo conforme suas memórias aparecem e ela vai compreendendo quem realmente é. Esse tipo de construção ajuda a causar maior empatia com o público.

Quem está ao lado de Carol nessa jornada é um personagem já conhecido e querido por aqueles que acompanham os filmes da Marvel: Nick Fury (Samuel L. Jackson). Por conta do filme se passar nos anos 90, aqui ele ainda é apenas um agente da S.H.I.E.L.D. que nada sabe sobre seres alienígenas, portanto duvida imediatamente das afirmações da Capitã sobre uma guerra espacial e aliens metamorfos invadindo a Terra. Mas conforme ele passa a acompanhá-la em sua busca surge uma excelente e divertida dinâmica entre os dois, que é certamente um dos pontos altos do longa.

Foto: Divulgação

Vibes noventistas

A estratégia de colocar o filme para se passar duas décadas atrás trouxe vantagens como: manter o mistério do que pode vir a acontecer durante “Vingadores: Ultimato” e dar tempo fora de tela para o desenvolvimento dos poderes de Carol, justificando um provável aumento de suas habilidades na próxima produção da franquia. Além de tudo a ambientação durante os anos 90 trouxe referências divertidas que estão mais próximas da geração que atualmente consome os longas da Marvel.

A música é um fator que se destaca, a trilha está composta em grande parte por grupos e cantoras femininas, trazendo um toque ainda mais girlpower para as cenas. Porém esteticamente o filme está mais apagado do que era de se esperar, o visual na maioria das vezes não consegue ser marcante. A computação gráfica varia entre pontos bastante realistas (como o rejuvenescimento de Fury) e cenas que parecem ter saído de um videogame, especialmente nos momentos que se passam no espaço.

Foto: Divulgação

 Veredito

“Capitã Marvel” consegue marcar presença por nos apresentar uma protagonista forte e bastante carismática, além de trazer personagens secundários com excelentes interações, vale mencionar aqui que o gato Goose é uma das partes mais divertidas do longa. Porém peca pelo roteiro previsível e a estética falha, sendo um dos filmes que menos se afasta da chamada “fórmula Marvel”.

Em termos de representatividade feminina ele consegue acertar: Carol é destemida e poderosa, faltando apenas aquela pegada de líder que vemos nos quadrinhos – mas isso provavelmente deverá ser abordado no próximo Vingadores. Já passava da hora da Marvel ter sua heroína solo e mesmo não saindo muito do básico, ela nos trouxe uma personagem cheia de potencial e que promete ser um dos grandes destaques da fase 4 do estúdio.

Foto: Divulgação