Buscando… Um Drama Através da Tecnologia

20/09/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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Acaba de chegar aos cinemas nacionais o primeiro filme do diretor Aneesh Changanty, que se utiliza exclusivamente de tecnologias dispostas em um computador MacBook para contar uma história de desaparecimento e investigação. O ambiente totalmente virtual, que se apresenta como uma nova forma de contar histórias, encontra em “Buscando…” um uso justificável e muito bem executado.

Por Trás da Internet

Um vínculo bastante forte entre pai e filha é quebrado quando Margot (Michelle La) desaparece das redes sociais e David (John Cho), preocupado com a filha, procura seus amigos pela internet, buscando descobrir o paradeiro da menina. O que acontece, entretanto, são a descobertas de uma realidade diferente da publicada pela jovem nas redes sociais e nas conversas que ela tinha com o pai, revelando a solidão da garota na universidade e a possibilidade de ela estar correndo perigo.

Imagem: Divulgação

O Momento do “Screenlife”

Para quem não conhece o termo, Screenlife é um novo e ascendente gênero cinematográfico, onde o filme em questão é inteiramente rodado na tela de um computador ou smartphone, usando os aplicativos e atributos presentes nele. Esse meio de contar histórias chegou recentemente ao público com os filmes da franquia de terror “Unfriended”, ou “Amizade Desfeita” (2015), e vêm ganhando adeptos desde então. O recurso é fruto de uma proposta inovadora de vincular a realidade em qual estamos inseridos na forma de rodar um filme, o que tem um valor bastante especial.

É comum imaginar que seja um pouco restrita a narrativa dos eventos em um filme desse gênero, mas “Buscando…” consegue subverter esse pensamento. Por meio de vídeos e fotos do passado, que avançam juntamente com as tecnologias e sistemas operacionais usados em tela, o diretor constrói um prelúdio essencial para o vínculo entre os personagens, que passaram por uma perda grande e só contam um com o outro. É clara a relação entre eles, e a presença constante da internet facilita o desenvolvimento da história.

A dinâmica em tela não é comprometida pela restrição do computador, celular, uma vez que todos os diálogos importantes ocorrem por meio da internet e as informações adicionais são apresentadas de forma muito bem aplicada por meio de sites, notícias e outras mídias online. O filme consegue criar sua estrutura narrativa de forma clara e coesa, mesmo diante do desafio por trás do Screenlife.

Imagem: Divulgação

A Solidão Online

Assim, a ferramenta usada para contar a história só a reitera, uma vez que o longa aborda questões contemporâneas sobre as redes sociais e a solidão por trás dos perfis online, abordando esse distanciamento das pessoas, mesmo estando cada vez mais conectadas umas com as outras.

Para dar mais peso ao filme, as atuações são entregues com eficiência, com destaque à John Cho que, conhecido por fazer subfilmes dramáticos, aqui, apresenta uma performance impressionante, segurando a carga dramática de seu protagonista com todo o peso emocional de um pai a procura de sua filha. Além disso, outra atuação que se destaca é a de Debra Messing no papel da Detetive Rosemary, que, ao desenrolar do filme, se mostra uma personagem importante e controversa na narrativa. 

Imagem: Divulgação

Veredito

Finalmente, “Buscando…” é um suspense que se supera ao construir um clima tenso por meio de um gênero ainda muito novo e pouco amadurecido. É eficiente em contar sua história e faz bom uso das ferramentas que tem ao seu dispor para inovar em uma narrativa já bastante saturada, trazendo novos olhares e perspectivas para tal. É, desse modo, um filme original, bem executado e que inova em sua forma narrativa. Uma grande surpresa!

Imagem: Divulgação