Atypical: O autismo na tela

05/11/2017 - POSTADO POR e EM Séries
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Já ouviu aquele ditado que nenhuma família é normal? Pois é, a Netflix levou a sério essa máxima e trouxe “Atypical” (2017). Estamos bem cansados de ver séries naquele modelo conhecido e um pouco clichê, principalmente em sitcoms, que se utilizam do cotidiano familiar. Esta, no entanto, aborda o autismo de uma forma bem leve, corajosa e em apenas oito episódios.

Contextualizando

Um jovem de dezoito anos chamado Sam Gardner (Keir Gilchrist) foi diagnosticado, ainda quando criança, dentro do espectro do autismo. Como todo adolescente, ele passa por todas as dúvidas e dilemas da sua idade – família, relacionamentos – mas com a pequena diferença de que sua visão do mundo é bem diferente. Seu único refúgio, além dos pais e da irmã Casey (Brigette Lundy-Paine), é sua psicóloga Julie (Amy Okuda). Ao mesmo tempo que ele decide procurar uma namorada, o garoto começa a buscar também sua independência e individualidade, o que deixa sua mãe, Elsa (Jennifer Jason Leigh), bastante perdida, já que tinha sua vida pautada pelo filho. É nesse momento que Sam se aproxima mais de seu pai, Doug (Michael Rapaport), que sempre se manteve emocionalmente distante por não ter aprendido de verdade a conviver com o filho.

Todos somos diferentes

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que compromete as habilidades de comunicação e interação social, e é um assunto pouquíssimo comentado na televisão. O jeito que “Atypical” aborda o tema é bem natural, não como se fosse um passo a passo de como entender como funciona uma pessoa com isso. Sam é um adolescente que tem seu próprio mundo, é extremamente sincero, não entende ironias e analogias, e destrincha hipocrisias no mesmo segundo. Muita gente não gosta de interagir com quem é tão extremo assim, e acompanhar o rapaz nessa tentativa de se incluir é algo que vale pro próprio crescimento pessoal do espectador.

A série também mostra que também existem vários espectros do autismo. O caso de Sam é um dos casos onde a pessoa ainda é bastante independente e desenvolve algumas habilidades mais rapidamente do que outras, enquanto existem níveis diferentes que comprometem mais a vivência. Num ambiente onde vemos pessoas utilizando “autista” como xingamento – por falta de conhecimento e crueldade, é de utilidade pública assistir.

Foto: Divulgação

Família é tudo nessa vida

Apesar da família Gardner ter dois filhos, Sam e Casey, todas as atividades estão em torno do garoto. Em certos momentos, fica muito claro o quão difícil é a realidade de mães como Elsa, que precisam estar sempre disponível para os filhos com necessidades especiais. Desde seu nascimento que ela foca suas funções para a criação de Sam, ao ponto que quando não precisa lidar com nada dele, Elsa se sente impotente e deixada de lado por conta da independência do filho. A insegurança aumenta quando ele se sente mais confortável ao se abrir com a psicóloga Julie – que dá apoio às vontades do menino que a mãe desaprova – e de buscar conselhos e refúgio com o pai Doug – que nunca conseguiu criar um vínculo antes com Sam por não saber aceitar de verdade a situação.

Em contraponto, a irmã recebe menos atenção materna, tendo sua relação um tanto desgastada com esta, o que a leva a também se aproximar mais de Doug. E as escolhas pro futuro de Casey também precisam contemplar Sam. Apesar de mais jovem, ela necessita “cuidar” dele em momentos que está longe dos pais, como na escola, por exemplo. Isso cria um atrito entre ela e o irmão, fazendo com que em vários momentos ela queira se manter afastada – mesmo que depois, o que ela sinta é que ela precisa dele mais do que o contrário.

Conclusão

Todos esses assuntos, que em sua essência são fortes de se discutir, são abordados de forma leve, com alívios cômicos, ainda demonstrando a importância e a necessidade de se falar sobre. Em vários momentos temos empatia pelos personagens e às vezes cai um cisco no olho e escorre aquelas lagriminhas. Atypical é bem curtinha, e com episódios de trinta minutos cada – além disso, a série já foi renovada. Então, que tal tirar um tempinho para maratonar?

Foto: Divulgação