Aquaman: a fenomenal jornada do herói de Atlantis

13/12/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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O novo filme da DC chega em um momento conturbado para o estúdio. Após os resultados mistos de várias produções e com a grande reunião da “Liga da Justiça” (2017) ter ficado abaixo do esperado, a pressão para que o herói de Atlantis apresente resultados é grande. E “Aquaman” não decepciona.

Um mar de descobertas

Quem já viu o trailer entende em linhas gerais sobre o que o filme se trata. Atlanna (Nicole Kidman), rainha do reino perdido de Atlantis, é encontrada na costa por um faroleiro (Temuera Morrison), humano por quem ela se apaixona e com ele tem um filho, que se tornará o herói do título. Essa é a sequência de abertura do longa, que de cara já é capaz de emocionar e estabelecer um ponto alto da produção: a execução afiada das cenas de ação, com lutas bem coreografadas e em plano sequência. Nicole Kidman poderia fazer mais filmes como esse, inclusive.

O curioso é que mesmo com um trailer estendido de 5 minutos divulgado há alguns meses, o estúdio conseguiu preservar a narrativa do longa e garantir surpresas para o expectador, que só compreende a ordem dos eventos e o papel dos personagens quando de fato assiste ao filme.

Foto: Divulgação

Histórias fluentes

A trajetória do Aquaman é impressionante. O conceito do monomito de Joseph Campbell é um dos pilares do estudo de narrativas e pode ser aplicado de forma muito rica na história do personagem subaquático. Mesmo com Arthur Curry (Jason Momoa) já tendo sido introduzido anteriormente no DCEU (Universo Expandido da DC), sua origem é apresentada de forma bastante competente, com flashbacks que conversam naturalmente com os acontecimentos atuais e constituem em uma das melhores Jornadas do Herói adaptadas de HQs da última década.

Os personagens secundários também possuem um papel importante na trama. A Mera de Amber Heard é proativa e toma decisões sem esperar por ninguém, além de ser uma grande lutadora e possuir habilidades especiais. O diretor James Wan, de “Invocação do Mal”, trouxe da franquia o ator Patrick Wilson, seu colaborador que aqui faz um bom trabalho como o rei Orm, meio irmão fashionista de Arthur que entra em conflito com o herói, apesar de ser subscrito.

Os vilões do filme (sim, são mais de um) cumprem sua função e possuem motivações plausíveis. Afinal, a humanidade se torna inimiga de Orm sob o pretexto de que o homem tem sido irresponsável com os oceanos, cada vez mais poluídos de dejetos que comprometem a vida marinha. Uma decisão tomada por Arthur no início do longa dá origem ao seu arqui-inimigo Arraia Negra. A decisão, questionável do ponto de vista idealista dos super heróis, pode provocar uma discussão interessante.

Foto: Divulgação

Povoando o oceano

Visualmente, o longa é deslumbrante. A proposta de se fazer um filme que se passa em baixo d’água já é bastante desafiadora, mas o CGI empregado na produção é decente e, curiosamente, as poucas cenas que causam certo incômodo (em relação aos efeitos especiais) se passam fora do mar. No geral, as cores vivas das imagens parecem saltar da tela e são um deleite de se observar.

Wan e sua equipe criativa conceberam um magnífico universo submerso repleto de criaturas místicas, edifícios futuristas e veículos tecnológicos que transparecem uma cultura de civilização avançada. Fica o sentimento de que a trama aborda somente uma parte de todo o potencial do universo – o que não é um problema, mas um indício do quão rico é o material e do cuidado em se pensar os elementos que constroem o mundo da ficção.

Foto: Divulgação

Sem medo de ser feliz

O filme sabe bem quem é Arthur Curry e não tem medo de estampar isso na testa. Jason Momoa não é lá grande ator, mas sabe se safar muito bem com a persona descontraída do Aquaman e o longa usa isso a seu favor. Por isso, mesmo com alguns elementos sendo um tanto cafonas eles contribuem para a estética de aventura oldschool e não deixam que a produção se leve a sério demais. Afinal, um filme que exibe seus personagens saindo do mar em câmera lenta ao som de uma música do Pitbull (algo inconcebível nos filmes anteriores da DC), precisa ser admirado por sua confiança em dar a cara a tapa.

A trilha sonora de Rupert Gregson-Williams (que também trabalhou em “Mulher-Maravilha”, de 2017) é inteligente ao se utilizar de sintetizadores eletrônicos nas cenas de Atlantis, que conferem um ar progressista à cidade. As canções presentes no filme vão de baladas românticas ao rock, e entre erros e acertos contribuem para a ambientação das cenas, mesmo em seus momentos mais “sessão da tarde”. “Everything I Need”, música original gravada por Skylar Grey, é um destaque e cai como uma luva para os créditos.

Foto: Divulgação

Veredito

James Wan não se conteve em sua versão corajosa e extravagante de “Aquaman”. E que coisa boa. O resultado é um filme ágil, divertido, emocionante, belo e épico. A escala da ação subaquática é surpreendente e as cenas colossais de guerra nos levam a imaginar o que um outro James, o Cameron, está preparando para os próximos longas de Avatar, que devem mostrar os oceanos de Pandora e envolvem bastante água. Com certeza o avanço tecnológico será ainda maior e mais vistoso.

Não se pode dizer que o filme de Wan é o bote salva-vidas do DCEU – a essa altura seria preciso um milagre interdimensional (oi, Flashpoint). Mas pode-se afirmar que, em seus próprios termos, “Aquaman” é um redundante acerto da DC. Uma fantasia heroica de proporções sem precedentes, que transporta o público para um fascinante universo de cores e batalhas submarinas. Julie Andrews emprestando a voz para um enorme monstro das profundezas é apenas a cereja do bolo nesse que é um dos mais autênticos e insanamente criativos filmes de origem de um super-herói já feitos.

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