Anjo Russo: Um livro sobre romance e muito mistério

18/03/2018 - POSTADO POR EM HQs/Livros
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“Anjo Russo” é o romance de estreia de Zia Stuhaug. Um thriller recheado de mistérios que conta as desventuras de Elisa, uma brasileira casada com Eirik Leiv, um próspero norueguês magnata da indústria pesqueira. Boa parte da história se passa no frio país do esposo, onde a protagonista sofre para se adaptar – ao frio, aos costumes um tanto quanto rígidos, e, obviamente, à língua.

Um início macabro

Logo de cara descobrimos que alguém ataca a mocinha do título. Quem será? Uma boa história policial não seria nada sem um vilão e, não demora, somos apresentados a vários candidatos! Ao longo do livro, na verdade, podemos desconfiar de qualquer um que não Elisa: seu marido que oscila entre a indisposição psicopática e um amor desmesurado; a sogra, Therese; duas personagens que surgem como possíveis aliadas, mas agem de maneira estranha, Nina, uma angolana que luta em aprender a língua norueguesa, e Liudmila, uma russa que – como nos é mostrado logo no início do livro – aparentemente é bastante próxima do casal. Por fim, temos Mattias Larsen, este sendo apresentado como a grande mente maligna por trás de diversos acontecimentos na trama.

Tesouros e perseguições

Falando em Mattias, seu plano é simples – encontrar o obscuro Tesouro de Iduna. Para isso, ele precisará de um antigo livro, o Códice de Uppsala, e de uma caixa de freixo. A tarefa, que parece fácil inicialmente, torna-se complicada justamente por conta de uma série de coincidências e fatos aos quais a mente aguçada do vilão não poderia prever: a curiosidade de Elisa e, porque não, sua natureza pueril. Estando os dois em um mesmo ambiente, a caixa de freixo é “interceptada” pela mulher, que quer a todo custo o artefato para si (com o intuito de guardar as poesias que seu tio Roger envia diretamente do Brasil).

É a partir daí que a mocinha vira alvo do vilão, um sujeito que, apesar de depressivo, passa por cima de tudo e de todos. Ambicioso e presunçoso, Larsen é um sujeito tóxico que, aliado à uma parceira igualmente tóxica (e bastante parecida com Liudmila, coincidentemente), resolve recuperar seu objeto e, de quebra, eliminar Elisa.

Leitura

Zia demonstra ser uma pessoa bastante erudita. A obra é carregada de referências, seja das culturas nórdicas, ou de países próximos ao Brasil, como o Chile. Sua caracterização da distante Noruega e de suas pessoas é construída de maneira diluída por todo o livro – quando percebemos, já esperamos ações específicas dos personagens para cada situação, e talvez nisto se configure a surpresa em vários momentos.

Porém, é preciso destacar que algumas vezes o lirismo fique pesado demais, deixando a leitura estranha, pois o romance, apesar de ágil, tropeça em recursos estilísticos extemporâneos. É como se Sherlock Holmes estivesse preso em um universo de romance de cavalaria: não é exatamente absurdo, mas causa um desconforto.

De toda forma, é uma surpresa agradável encontrar uma obra com uma mistura tão rica quanto a do Brasil com a Noruega. Fica a vontade de entender e conhecer mais este país que, para nós, sul americanos, é tão misterioso quanto a China Imperial.