Anime vs Mangá: as adaptações funcionam?

11/06/2020 - POSTADO POR and EM Animes / Mangás

Muitos animes são adaptados de mangás – eles são muito mais populares no Japão. No entanto, nem todas as adaptações são boas, mas algumas são bem melhores que o material original. Fizemos um compilado dessas produções para mostrar a vocês como as transcrições entre mídias são feitas e como é possível que um anime seja melhor que o seu mangá, ou vice e versa. 

Naruto vs Shippuden

O mangá “Naruto” começou a ser publicado semanalmente em 1999 no Japão na revista Shonen Jump, porém seu anime só teve lançamento em 2002 na TV Tokyo (TXN).

Por se tratar de um shounen de sucesso de vendas, sua adaptação em animação acabou ganhando uma atenção especial já na escolha da produção, garantindo assim uma fiel roteirização dentro da história do mangá. E, ganhando uma serização de episódios semanais, tornou a probabilidade de fillers, sempre que o anime alcançava ou se aproximava dos capítulos do mangá, alta, e no caso de Naruto, uma realidade.

Esse fenômeno causou uma ruptura no anime que não acontece no mangá, e que apenas se sucedeu devido ao longo tempo que passou para que as temporadas de fillers terminassem, e o anime retomasse a sua história principal. Para que os fãs tomassem essa consciência, os produtores resolveram batizar a nova fase de “Shippuden”.

Ou seja, para deixar claro, no mangá, após Naruto resolver ir treinar com Jiraya se passam três anos, e durante esse tempo não há uma pausa, o protagonista já aparece com seus 16 anos e de treinamento concluído. No anime, são quase três temporadas de episódios sem qualquer vínculo com a história principal, apenas para que a produção pudesse desenvolver o chamado “Naruto Shippuden”.

Devido a essa quebra, muitas pessoas que apenas conheciam o anime de Naruto, decidiram migrar para o mangá e assim continuaram a acompanhar a narrativa. Enquanto outros que gostavam apenas da animação, devido a cenas de luta e a trilha sonora, tiveram que se contentar com episódios que não faziam parte do roteiro original.

Imagem: Divulgação

Paradise Kiss – A força da Mangaká  

Algumas mangakás conseguem ter sua voz muito bem ouvida quando se trata de produções e adaptações de suas obras, e é o caso de Ai Yazawa, a autora das obras “Paradise Kiss” e “Nana”.

“Paradise Kiss” é um claro exemplo de uma adaptação bem feita de uma obra. O roteiro do anime, que possui apenas 12 episódios com uma média de 25 minutos, foi retirado totalmente do mangá, que conta com um total de cinco volumes, e sua produção foi feita pela Madhouse, estúdio responsável por títulos como “Sakura Card Captors”, “Death Note” e “One Punch-Man”.

A história fala sobre moda e paixões, e é um dos mangás josei (voltado para o público feminino adulto) mais bem vendidos da história do Japão, juntamente com “Nana”, outra obra da mesma autora, que mesmo ainda estando em pausa está sempre no topo de indicações de qualquer lista da categoria. “ParaKiss” também foi o primeiro do gênero a ser vendido aqui no Brasil pela editora Conrad.

A narrativa de Ai Yazawa faz com que seus roteiros sejam fáceis e relevantes para serem adaptados. Ela trata de temas atuais como ansiedade, sexualidade e depressão, e a forma com que os jovens trazem isso à tona e lidam com essas questões, o que faz a mangaká ter uma força perante o estúdio que adapta suas obras.

Imagem: Divulgação

Nana – Música que faz a diferença

A história mostra duas garotas adultas que se conheceram em um trem rumo a Tóquio e compartilham o mesmo nome: Nana. Por falta de dinheiro e uma série de coincidências, acabam morando juntas. Nana Osaki é cantora em uma banda punk e Nana Komatsu é romântica e só quer ser feliz ao lado de seu namorado. 

A adaptação do mangá foi feita de maneira que o público pôde acompanhar de perto a produção. Após cada episódio do anime, uma apresentadora mostrava como os cenários, objetos e características do mangá foram cuidadosamente trazidos para a animação. Alguns objetos eram mostrados, na vida real, fazendo comparações com as duas mídias. 

Apesar de ser uma história de bastante sucesso, o anime não chega ao final do mangá, que nunca foi concluído devido a problemas de saúde da autora. A adaptação se torna levemente superior ao material original por se tratar de uma obra bastante musical. A trilha sonora de “Nana” é incrível, o que não pode ser passado ao leitor apenas por texto.

Cantoras japonesas populares também foram escolhidas para realizarem as canções das bandas presentes no anime. Na época, isso só aumentou o sucesso da obra, já que Mika Nakashima, responsável pela voz de Nana Osaki, é conhecida por suas participações em filmes como “Resident Evil”, enquanto Aoi Miyazaki, intérprete de Nana Komatsu, já emprestou sua voz para personagens como Sakura, em “Tsubasa Reservoir Chronicles”.

Imagem: Divulgação

Garotas mágicas e suas Escolas

Em alguns momentos os estúdios acabam adquirindo os direitos dos mangás e não sabem muito bem o que fazer com isso. Várias vezes isso acaba acontecendo na categoria Mahou Shoujo ou Garotas mágicas. Um título bastante conhecido que iremos trazer para vocês como exemplo é de “Sailor Moon” , falaremos sobre sua primeira adaptação.

Primeiro, deixe-me avisá-los que o mangá de “Sailor Moon” foi, por muitos anos, censurado no Brasil, devido a vários fatores. O primeiro lançamento aconteceu apenas em 2014, pela Editora JBC, mesmo que tenha sido originalmente publicado em 1992 no Japão, assim como seu anime. 

A Toei Animation conseguiu um sucesso muito rápido com o lançamento do anime. Mas com uma diferença de apenas um mês entre a publicação mangá e o início da animação de “Sailor Moon”, a roteirização acabava em segundo plano, já que a mangaká Naoko Takeuchi participava de ambas as produções.

Enquanto o mangá de “Sailor Moon” possui oficialmente 60 capítulos, a primeira versão do anime tem 200 episódios e vários filmes, indo ao ar entre 1992 a 1997. Não é necessário dizer que muitos episódios não fazem parte da história original, por isso, em 2014, foi lançado uma nova adaptação intitulada “Sailor Moon Crystal”, buscando ser o mais fiel possível ao seu material de origem.

Imagem: Divulgação

Orange – Muita história, poucos episódios

Uma das histórias mais emocionantes dos animes e mangás acontece em “Orange”. Um grupo de amigos recebe cartas que contam em detalhes coisas que acontecerão em seu futuro próximo e isso acontece para que eles evitem o suicídio de um membro do grupo. O mangá foi publicado de 2012 a 2015, com seis volumes, tendo a versão brasileira veiculada pela editora JBC

Neste caso, o anime não se compara ao mangá. Isso porque uma temporada de 12 episódios, lançados em 2016, não foi capaz de desenvolver todos os personagens e mostrar como uma pessoa deprimida ignora toda a felicidade ao seu redor e só pensa em acabar com a dor que sente – ao pensar em suicídio. 

O personagem Kakeru, o suicida, é adaptado de maneira pobre e não é possível ao telespectador sentir a mesma empatia que sentiria se lesse o mangá. 

Por outro lado, o traço e ambientação do anime não deixam a desejar. A problemática existe, unicamente, na falha de adaptação, já que é difícil encaixar uma história incrível e longa em apenas 12 episódios. 

Imagem: Divulgação

Kuzu no Honkai (Scum’s Wish) – Sincronia é tudo

Aqui é um caso de sucesso. O anime de “Kuzu no Honkai” foi lançado junto do mangá, com os capítulos saindo quase ao mesmo tempo em que os episódios. Isso tornou possível que a obra fosse perfeitamente adaptada. Já falamos sobre a animação no comecinho do Roteiro Nerd e você pode ler mais sobre ele aqui

A história mostra Hanabi, uma garota no ensino médio que é apaixonada por seu professor e amigo de infância. Ela conhece Mugi, que está totalmente encantado por sua professora de música. Hanabi e Mugi começam a namorar para tentar esquecer quem realmente amam. 

Os traços são incríveis e seguem o mangá de maneira fiel. A história também, não deixando de lado cenas importantes ou mudando o final – como muitos fazem. Quando os mangakás fazem parte do processo de criação do anime, é muito mais fácil que casos assim aconteçam.

Imagem: Divulgação

Mahoutsukai no Yome (The Ancient Magu’s Bride) – Sucesso na adaptação

Um dos grandes sucessos da Crunchyroll, “Mahoutsukai no Yome” é um anime incrível. Cheio de mágica e cores, também tem muitas cenas e personagens obscuros. A narrativa mostra como Chise, uma menina órfã e sem esperanças de viver, foi “comprada” por Elias, um grande mago, e se tornou sua aprendiz. 

A produção recebeu muita atenção dos leitores e todos tomaram muito cuidado ao realizar o anime. Como resultado houve boa receptividade, se tornando uma obra muito bem adaptada, apesar do anime ter sido finalizado antes do mangá. 

Imagem: Divulgação