Análise: Justiça ao Justiceiro

22/11/2017 - POSTADO POR EM Séries
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Vingança é um prato que se come frio? Para Frank Castle (Jon Bernthal), protagonista da série lançada pela Netflix, “O Justiceiro” (2017), o importante é o acerto de contas, independente da temporada. O personagem já tinha sido apresentado na segunda temporada de “Demolidor” (2015), deixando claro quais eram seus objetivos e preparando um gancho perfeito para seu seriado solo.

Enredo

Após o massacre de sua família, Frank Castle é dado como morto, o que faz ele levar uma vida quase normal, com uma nova identidade. Apesar disso, seu passado o faz voltar a desejar retaliação aos responsáveis pela chacina, justo após conhecer Micro (Ebon Moss Bachrach), um homem que vazou informações importantes da vida de Castle para as autoridades.

A dinâmica da série é envolvente, praticamente impossível não imergir no ritmo alucinante. Um dos motivos é entrada de novos personagens, como a policial Madani (Amber Rose Revah), que está investigando um crime ocorrido durante a guerra no Afeganistão relacionado ao Frank. Além dela, também acompanhamos a vida de um jovem ex-fuzileiro que parece não saber o que fazer após sua saída do exército.

Quem é Frank Castle?

Frank é um ex-fuzileiro americano que ao ver sua família assassinada busca se vingar dos responsáveis. Atormentado pela lembrança do acontecimento e consequentemente solitário, Castle passa a punir os criminosos com métodos que inclui a tortura e até mesmo o assassinato. Ele utiliza tudo que aprendeu durante seu período de treinamento militar e na guerra.

Devo lembrar que Frank não é considerado um herói, principalmente porque este busca essencialmente a vingança e a morte de seus inimigos. Castle seria uma espécie de “punidor”, palavra a qual seria utilizada se fosse traduzido ao pé da letra o título da série, “The Punisher”. Por isso, é comum esquecermos do seu lado humano, que, inclusive, é muito bem retratado na série. Vemos em várias cenas, que apesar de ele tentar e não gostar de vínculos afetivos, ainda sim existe alguns, principalmente com personagem Karen Page (Deborah Ann Woll), originalmente do seriado “Demolidor”.

Foto: divulgação

Além de Frank

A trama não traz um único vilão, na verdade teríamos a corrupção do sistema vigente como antagonista. Assim, pode ser observado que temos várias subtramas dentro da série, uma das chamativas é o caso do jovem ex-fuzileiro Lewis (Daniel Webber) que tem uma verdadeira mudança de comportamento durante o seriado.

Outro personagem que ajuda a “amarrar” o roteiro é o amigo de Frank, Billy Russo (Ben Barnes), que consegue reconstruir superar inúmeros desafios após sair da zona de guerra. Os dois exemplo trazem para série uma maior riqueza de detalhes, permitindo que o espectador se envolva mais com Castle e ajudando a desvendar melhor o seu passado e sua personalidade.

Foto: divulgação

Veredito 

O seriado traz um Justiceiro adaptado à realidade em que vivemos. Apesar do personagem ter sido criado por volta da década de 1970, a Netflix soube como aproveitá-lo e não deixar apenas como um matador de aluguel, como no passado, mais precisamente no filme “O Justiceiro” (2004), onde Thomas Jane interpretou Castle.

São várias as críticas que a série faz, dentre elas os danos psicológicos que os ex-combatentes sofrem após saírem da zona de guerra. Outro assunto que é sutilmente discutido é o porte de arma e sua influência na violência e no terrorismo. Além disso, o seriado provoca no espectador uma reflexão sobre a corrupção dentro das agências de segurança.

Para mim (#Rebeca), finalmente o personagem da Marvel foi retratado de forma correta nas telinhas. Aqui temos um enredo, que mesmo com tantas cenas de flashback, mescla sequências de ação perfeitamente com a história de Frank, o que não o torna cansativo nem exagerado.

Infelizmente, há só rumores de uma possível segunda temporada, entretanto existem ganchos que podem ser aproveitados no futuro para uma nova produção.

Foto: divulgação