Altered Carbon: o imortal híbrido de homem e máquina

17/02/2018 - POSTADO POR EM Séries
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O ser humano convive com o conceito de imortalidade desde muito cedo em sua história. Sempre buscamos qualidade de vida e aperfeiçoamento de nossos corpos para fazê-los durar o máximo possível, mas sempre mantivemos certos limites, pelo menos até agora. “Altered Carbon”, série original da Netflixnos trás uma nova visão sobre o futuro onde morrer é apenas uma opção.

Imortalidade seletiva

“Altered Carbon” nos leva ao futuro século 25, no qual todas as pessoas possuem cartuchos alojados em suas cabeças, que contêm o conteúdo inteiro de um cérebro, as memórias, a personalidade, as ações. Dessa maneira os corpos se tornaram descartáveis.

Por conta de tal tecnologia temos nosso protagonista, Takeshi Kovacs, um soldado altamente habilidoso, acordando 250 anos após a sua morte para investigar o assassinato de uma das pessoas mais poderosas desse novo mundo.

A trama é baseada no livro homônimo do autor britânico Richard Morgan. “Carbono Alterado”, título em português, que faz parte de uma trilogia de ficção científica e já tem os dois primeiros livros publicados no Brasil, com o terceiro ainda sem previsão de lançamento.

Foto: Divulgação

Uma questão de humanidade

A série apresenta uma classe nova da sociedade: os “Matusas”, pessoas tão poderosas que contam quase 300 anos de vida, ricos o suficiente para fazerem backup das informações contidas em seus cartuchos e continuarem vivendo mesmo com a destruição destes. Esbanjam o dinheiro com aquilo que mais lhes agrada, seja o quão extravagante for e enxergam com desprezo aqueles que só podem viver uma vida, seja por recursos financeiros ou escolha religiosa.

Nessa categoria temos a oportunidade de trazer à tona o questionamento do que torna você humano depois de viver tantas vidas, porém “Altered Carbon” não se aprofunda muito nesse ponto, deixando o assunto mais como uma reflexão para o espectador.

Interessante observar que o tema da transcendência da consciência humana através das máquinas não é de todo novo, sendo abordado antes por diversas mídias, como “Ghost in the Shell” (1995). Sua origem vem de um movimento intelectual chamado transhumanismo, existente desde o século passado e que prega o uso da tecnologia para ampliar as capacidades humanas, acreditando que o futuro será formado por híbridos de homens e máquinas.

Foto: Divulgação

Paisagem que convence

A série tem um visual impressionante, podemos notar muitas referências ao clássico “Blade Runner” principalmente no que diz respeito à ambientação. A cidade fictícia de Bay City tem uma quantidade enorme de prédios, luzes e painéis holográficos, além da chuva constante, nos recordando a futurista Los Angeles do longa. O trabalho de computação gráfica merece méritos nessa questão, o ambiente, na maioria das vezes, é bem realista e estruturado.

Atenção especial para a abertura e o encerramento de cada episódio, que apresentam imagens alusivas a conceitos importantes apresentados durante a história, podendo ser a um personagem, cena ou símbolo.

Foto: Divulgação

Veredito

Com visual futurista e grandes investigações, a trama da série é um bom chamativo para o espectador, porém o desenvolvimento da segunda metade da temporada perde um pouco o ritmo. Em alguns momentos, a história principal se desvia para dar lugar a eventos muito pessoais do protagonista e concentra a maioria das explicações para o final. Também pecaram ao colocar revelações ou ações muito previsíveis, deixando a narrativa com um tom simplista.

Porém, é de se elogiar o desenvolvimento dos personagens secundários. Ao longo da série, Takeshi recruta um pequeno grupo de apoio, é dado um bom contexto para cada um, até mesmo para a inteligência artificial que constitui o hotel onde nosso protagonista se instala. Assim temos uma gama de figuras carismáticas com dilemas bastante humanos para um mundo no qual isso tem cada vez menos valor.

Foto: Divulgação