Alita: o mangá nos cinemas

14/02/2019 - POSTADO POR EM Filmes
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Os fãs do cinema distópico já podem ficar animados, chega às telonas brasileiras dia 14 de fevereiro o filme “Alita: Anjo de Combate” (2019). O enredo é uma adaptação do mangá japonês “Gunnm” ou “Battle Angel Alita”, publicado originalmente em 1990. O longa foi dirigido por Robert Rodriguez, responsável por “Sin City” (2005), além de ser produzido e roteirizado por James Cameron, que dirigiu “Avatar” (2009). Fomos conferir o filme e vamos contar o que achamos.

Distopia cyberpunk

Alita (Rosa Salazar) é uma ciborgue encontrada por um cientista e médico, Ido (Christoph Waltz). Ele a reconstrói, colocando seu “coração” em uma espécie de corpo sintético de garota. Infelizmente, ela quase não tem memórias, mas consegue ter habilidades de luta bastante peculiares. Para solucionar essa lacuna, Alita passa a buscar mais sobre seu passado para entender quem era. Ela vive em uma cidade um tanto destruída, onde conhece um caçador de recompensas, Hugo (Keean Johnson), e se apaixona.

O lugar retratado pelo longa é dividido em duas partes: a de cima, Zalen, onde as condições de vida são melhores e a de baixo, a Cidade de Sucata, rodeada por corrupção e violência. Alita vive justamente onde as condições não são tão favoráveis. O local tem um visual bem sujo, cyberpunk e desolado.

Foto: Divulgação

A adaptação

A série de mangás lançada nos 90 foi criada pelo mangaká Yukito Kishiro, sendo chamada de “Gunnm” e contando com 9 volumes no total. Sua personagem principal era Alita, uma ciborgue sem memória que dominava artes marciais. A obra retrata um futuro distópico, no qual as máquinas viviam junto dos homens, algumas delas com feições bem humanizadas.

Na obra original, o cenário futurístico relembra um pouco de “Mad Max” (1979), onde reinava poeira e sucata. Esse pode ser considerado um típico cenário cyberpunk, ou seja, mistura a alta tecnologia com um qualidade de vida baixa. Algumas cenas lembram também os mangás “Ghost In The Shell” (1989) e “Akira” (1982), que compartilham os mesmos conceitos distópicos sobre futuro e desenvolvimento tecnológico.

Existem algumas diferenças entre o mangá e o filme, a principal delas é que se evitou sexualizar a personagem principal. Alita originalmente era bem erotizada, sendo retratada com um corpo “violão”, grandes peitos, cintura fina e quadril largo. No longa, ela tem um ar mais “natural”, beirando a um corpo de adolescente. Já o visual dos olhos, não foi tão alterado, já que o próprio James Cameron pediu que seus olhos fossem aumentados, o que passou para o espectador pureza.

Foto: Divulgação

Veredito

É bem verdade que quando se trata de adaptações orientais no ocidente, a maioria do público já se preocupa, justamente por muitas vezes não atender às expectativas, ou mesmo mudar o viés do original. No caso de “Alita”, a adaptação para o cinema foi bem feliz, apesar de alguns problemas.

A grande quantidade de personagens da trama acaba por não permitir o bom desenvolvimento deles, além de que alguns não conseguem criar identificação com o espectador. Quanto aos efeitos visuais, é indispensável assistir o filme em 3D, já que está tudo impecavelmente produzido. A decisão de captar os movimentos da personagem e transformá-la em algo criado “artificialmente” ajudou Alita a ganhar a empatia do público. Outro aspecto positivo são as cenas de luta muito bem coreografadas.

Certamente Alita é um filme criado para ser assistido em telas grandes, ser apreciado por toda a sua beleza estética, porém o roteiro pecou em desenvolver tão pouco os personagens. É certo que existe uma esperança para esse problema, pois o longa deixou um gancho perfeito para uma possível continuação.

Foto: Divulgação