A Liga da Lei: Uma história de mocinhos, bandidos e muitas balas

16/04/2018 - POSTADO POR EM HQs/Livros
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Prontos para muita aventura, poder e fantasia? Recebemos o livro “A Liga da Lei”, primeiro volume da segunda era de Mistborn, da editora Leya e simplesmente adoramos. Caso não tenha problemas com pequenos spoilers, pode seguir em frente rumo a uma pequena amostra do grandioso universo criado pelo autor Brandon Sanderson, best-seller do New York Times.

Um novo mundo

Confesso que não conhecia Mistborn e nem o autor Brandon Sanderson, mas pode ter certeza que foi amor à primeira vista (ou à primeira lida). A história está ambientada em um mundo fictício, que está sofrendo uma série de mudanças, assim como o nosso mundo real um dia passou. O ambiente é como se fosse um período de Revolução Industrial, que conta com o surgimento recente da eletricidade e onde os grandes investimentos são: as ferrovias e os novos prédios com alturas cada vez maiores.

É através desse contexto que conhecemos o personagem principal Waxillium Ladrian, ou somente Wax, como ele é chamado no livro, um duplonato (vamos já entender o que é isso), que vivia como um homem da lei nas terras brutas (um local mais isolado da cidade grande), mas que após a morte de seu tio, se viu obrigado a ir para cidade de Elendel, cuidar dos negócios da família. No entanto, o maior motivo que Leva Wax para a cidade (e aí vem um pequeno SPOILER), é o fato de que, durante a caçada a um bandido nas terras brutas, ele acerta um tiro na cabeça de uma refém, ao invés de acertar no vilão, mas o pior de tudo é que a refém era a mulher que ele amava. A partir desse trauma, ele apresenta dificuldades em puxar novamente o gatilho em defesa de alguém.

Até aqui você deve estar se perguntando: “mas o que tem de tão especial nessa história toda?”. Eu lhes respondo: Junte a esse enredo pessoas com poderes especiais catalisados a partir de 16 metais diferentes, distribuídos em duas formas de demonstração desses poderes, que você terá uma das histórias de fantasia mais original que já vi na atualidade. Uma espécie de X-Men do velho-oeste.

Alomancia e feruquemia

A grande pitada de fantasia deste livro é a questão de humanos que têm poderes inatos, que são catalisados pelos 16 metais existentes: Ferro, Aço, Estanho, Peltre, Zinco, Latão, Cobre, Bronze, Cádmio, Curvaliga, Ouro, Electrum, Cromo, Nicrosil, Alumínio e Duralumínio. Esses metais são utilizados para processar os poderes de indivíduos que possuem uma das artes metálicas: Alomancia ou feruquemia. Existem ainda dois outros metais divinos, que são insinuados, mas não citados ao decorrer da publicação.

A Alomancia funciona através da ingestão do metal (geralmente através de raspas inseridas em algum líquido) catalisador de cada habilidade específica, onde através da queima interna desse metal, o indivíduo alomântico pode utilizar seu poder. Já a Feruquemia, funciona através de “mentes de metal” (braceletes, estacas ou alguma outra peça desse metal no corpo do indivíduo), armazenando ou esvaziando a capacidade do indivíduo.

As pessoas podem nascer sem nenhuma habilidade, ser somente alomânticos, somente feruquêmicos ou ter as duas habilidades, sendo assim, chamados de duplonatos. Cada habilidade já nasce com o indivíduo, mas só é canalizada pelo metal específico dessa habilidade inata. Wax por exemplo, é um duplonato que tem habilidade alomântica de Aço, em que ele “empurra” fontes de metais próximas, e habilidade feruquêmica de Ferro, onde ele pode armazenar peso físico, aumentando ou diminuindo seu peso corporal.

Ferrugem e ruína

Ao longo da trama, Wax deixa a vida de homem da lei nas terras brutas para se tornar um homem de negócios em Elendel. Só que ele assume a casa Ladrian quando esta está quase falida. Então ele se vê obrigado a conseguir um casamento arranjado, com outra família de renome da cidade, para assim manter a sua casa de pé e conseguir manter todos os empregados. Porém, uma série de roubos está acontecendo na cidade, alguns envolvendo até mesmo sequestros. Wayne, companheiro de Wax nas terras brutas, aparece na cidade para investigar os acontecimentos e Wax se vê tentado a ajudá-lo.

A partir desse ponto, a história se desenvolve através do conflito interno de Wax, que fica indeciso entre se aventurar como um homem da lei ou ficar em paz com sua nova vida de homem de negócios. Entretanto, como o livro não teria graça nenhuma se o mocinho não fizesse nada, uma série de acontecimentos levam Wax a um mundo de ação, aventura, poderes e muitas balas, sem deixar de lado vilões e donzelas em perigo.

Alguns outros pontos também são bem marcantes, com destaque para a diversidade de religiões citadas (algo bem parecido com nossa realidade) e a presença de algumas divindades dessas religiões; e também, algumas das expressões utilizadas pelos personagens, como “ferrugem e ruína”, uma expressão que é tipo um palavrão que você diz quando algo de ruim acontece.

Veredito

O livro é bem escrito, o enredo convence, os personagens são muito cativantes e existem excelentes cenas de ação (destaque para a luta de Wax e Miles em cima de um trem em movimento), além de alguns pensamentos filosóficos muito bacanas inseridos em meio ao texto (como a conversa de Wax com o seu deus, que traz um pensamento bem forte sobre a relação entre divindade e humanidade).

Existem alguns clichês, como o conflito entre o bem e o mal, e alguns pontos previsíveis, mas também é uma leitura que prende do início ao fim, trazendo muitas surpresas. É uma obra encantadora que te deixa cheio de vontade para ler a continuação, e os outros livros da saga. Um prato cheio para quem gosta de poderes, ação e fantasia.

Foto: Divulgação