A Força Imagética de Jurassic World: Reino Ameaçado

12/06/2018 - POSTADO POR EM Filmes
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O revival da saga Jurassic Park foi um sucesso estrondoso em 2015. Tanto que o filme dirigido por Colin Trevorrow se tornou a quinta maior bilheteria de todos os tempos. Mas, em retrospecto, esse sucesso pode parecer injusto mediante a um produto de puro escapismo. O novo “Jurassic World: Reino Ameaçado” tenta elevar a perspectiva ao trazer uma proposta mais questionadora. O veredito você confere agora.

Dinos: salvar ou não salvar? Eis a questão

Após os acontecimentos de “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” (2015) levarem à queda do parque, a ilha vulcânica de Isla Nublar, habitada pelos dinossauros, está prestes a explodir. Um debate ético é levantado internacionalmente: deveriam os humanos fazerem algo para salvar os animais e impedir a sua segunda extinção? Os governos chegam a conclusão de que não. Mas a iniciativa privada responsável pelo investimento pensa diferente.

Claire (Bryce Dallas Howard) é convocada pelo magnata Benjamin Lockwood (James Cromwell) e seu representante Eli Mills (Rafe Spall) para levar os dinossauros para um santuário natural onde possam viver sem interferências. Na empreitada, ela conta com o retorno de Owen Grady (Chris Pratt) e a ajuda dos estreantes na franquia Daniella Pineda e Justice Smith, no papel de uma paleo-veterinária e um técnico de informática, respectivamente.

Foto: Divulgação

Diminuindo a escala

O diretor J.A. Bayona, dos ótimos “O Impossível” (2012) e “Sete Minutos Depois da Meia-Noite” (2016), consegue imprimir o senso de perigo iminente e faz um bom trabalho em construir a tensão. A sequência de abertura do longa, antes de acompanharmos os personagens principais, é imensamente satisfatória e remete ao clima da produção original de 1993.

Como sempre, a ganância faz com que as corporações tenham segundas intenções quanto aos dinossauros. Aqui porém, temos uma escolha interessante. Depois de sermos levados à Isla Nublar, cerca dos dois terços finais do filme se passam em uma mansão. Confinado em um espaço menor, o tom se torna menos grandioso e mais intimista, algo que não estávamos acostumados na franquia. O resultado é interessante, apesar de não haver um retorno tão amplo.

Foto: Divulgação

O poder das imagens

Assim como no filme de 2015, Reino Ameaçado tem seus melhores momentos quando se utiliza da força imagética de elementos simbólicos da saga. A maior inteligência do filme de Trevorrow foi o uso do Tiranossauro Rex não mais como uma figura a se temer, mas agora como um aliado, algo que traz segurança devido à sua familiaridade. Bayona reproduz um desses momentos aqui com enorme êxito.

Durante a missão de resgate em Isla Nublar, é óbvio que nem tudo acontece como esperado, e o caos acontece. Uma sequência de fuga nos leva à ficar presos junto com os personagens em uma esfera debaixo d’água numa cena claustrofóbica e muito bem executada. Outro momento emblemático mostra a sombra de um dinossauro cambaleante em meio a destruição e consegue ressoar e mover o espectador.

Foto: Divulgação

Veredito

Nos aspectos técnicos a produção tem bons efeitos gráficos, como era de se esperar, e uma fotografia formidável – cortesia de Oscar Faura, colaborador de longa data do diretor que ressalta o aspecto visual da obra. Mas muitos personagens são subdesenvolvidos e até estereotipados, como o general russo grosseiro e o nerd assustado que serve de alívio cômico. Felizmente Bryce Dallas Howard consegue mais espaço e toma o show para si.

Entre erros e acertos, “Reino Ameaçado” consegue se manter como um entretenimento eficaz. Finalmente mostrando a que a nova trilogia veio e os rumos audaciosos que ela pretende seguir, a produção se utiliza da nostalgia mas não deixa que isso a segure para trás, apontando uma retomada da grande escala para o próximo filme. Questões morais dos limites da manipulação genética são levantadas, ainda que não aprofundadas, e abrem um caminho instigante para o desenrolar da saga.

Foto: Divulgação